Eu queria abrir os olhos pro mundo, ter mais amor próprio. Ser menos o ideal de ser humano de que as pessoas tanto falam. Eu queria levar tudo menos a sério e não fazer as pessoas se sentirem importantes sempre. E nem sentirem que eu estarei ali a qualquer instante.
Uma tristeza fica em mim e eu nem sei o que devo fazer. As pessoas não levam tão a sério os conselhos do mundo, por que eu deveria levar? Por que realmente fazer de tudo pra marcar a vida das pessoas e pôr um sorriso nelas? Eu queria nascer de novo. Numa família ainda menos carinhosa. Talvez eu não levasse a sério, como todo mundo. E fosse mais chata. E as pessoas não enjoassem de mim com facilidade. Aliás, de mim, vem tudo fácil. Deve ser isso.
E, ainda, eu queria ter os olhos fechados, não no sentido de pálpebras baixas, mas no de ignorar as coisas ruins que vejo, as maldades que sinto e só por hoje, não sentir a dor dos outros e chorar por isso. Não é justo que eu sinta sozinha tanta coisa. Sinta a dor do próximo tão em mim. Eu queria ser menos sentimental. Alguém feche, ou melhor, lacre os meus olhos para que as lágrimas sejam contidas.