terça-feira, 10 de junho de 2008

Dona Marlúcia.

Então estava lá de novo, na caminha, no recanto escuro e tão bonzinho de não acordar, não levantar.

Prova no dia seguinte, coragem nenhuma. Lá vai um banho, no maior dos caprichos, mas tomar banho caprichado é detestável, sempre dá uma sensação de quero morrer, acabam-se as coisas, todos os sons, todas as pessoas e tudo cala, tão quieto que nem nos reconhecemos.

Aí, não tenho vontade nem de ver pessoas, até mesmo as de que gosto, na verdade, elas se tornam um pé com frieira. Daquelas que coçam pra caramba.

Sem a menor vontade de voltar pra rotina, nem pra todas as pessoas que fazem parte dela, eu caminhava por permanência, só pra andar...

Foi então que eu entrei na sala da Britânica, eu vi um rostinho que parecia aqueles de peça teatral infantil quando tem uma avó na história. Foi como uma luzinha pra mim. Tão linda ela, tão bonitinha, com o seu inglês puxadinho, até meio tosquinho, meio aportuguesado, eu achei tão fofinho. Eu só conseguia pensar que ela estava ali por mim, pra mim, só pra mim.

Ela ficou lá na sala fazendo um monte de gracinha, ainda mais quando eu disse:
- Teacher, excuse me, what's your name?
- Oh, sweet darling, I said when I get in, my name is Marlúcia.

Marlúcia, gente, quase Marla! Ai, que eu me apaixonei mais ainda, o mais magnífico é que eu nunca a tinha visto ali, nunca. Foi uma maravilha a aula, ela fez a gente repetir um monte de coisas, e era tudo que eu precisava naquele dia, ser tratada como aluna do primário aprendendo...
- Repeat, class! Come on! Have you been to Italy?

Ai, ai, Dona Marlúcia... (L)

Que mais dias do meu ano sejam curadas por essas criaturinhas, enchendo a minha pronúncia de erro e o meu dia de alegria.