sexta-feira, 15 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Seja Valente.
- Ah! Eu fico pensando num montão de coisa que eu quero fazer junto, sair junto, cinema, teatro, tanta coisa que eu quero fazer contigo! Vai ser tão bom! Fala alguma coisa, você só fica aí, calada.
Foi o que ela lembrou entre uma troca de marcha e outra, quase se distraindo com o balançar da rede que lhe vinha à memória.
Pensamentos que pareciam sombras escondidas entre os lençóis, as colunas, as frestas da porta.
- Mas qual foi o motivo?
Ele não tinha a menor noção de resposta.
- É por isso que você tem insistir nele, oras!
- É por isso que você deve se afastar dele!
- É porque tu faz tudo errado!
- É porque a vida não é justa!
- É porque... o que eu ia dizer mesmo?
(...)
- Alô?
- Alô!
- Tu tá aonde? Vem me buscar?
- Tá, tô indo!
E lá veio ela, com aquele sorriso contagiante, com seus cabelos soltos e euforia!
- De onde essa menina tira tanta energia?
Quatro da manhã. Decote. Cerveja. Sorrisos.
Tinha uma névoa em volta dela, tão carismática, linda, envolvente, descolada, tão incrível, decidida, dona de si, dona do mundo.
Ele insistia em enxergar da forma mais mágica e encantadora tudo aquilo. Ele jamais esteve imune.
“Não é falta de amor. Disso eu não duvido nunca e quero que você nunca duvide. O que eu sinto por ti é forte e genuíno, como eu nunca tive na vida.”
- É por isso que eu quero que você me deixe pra trás.
(...)
- É hoje que a gente vai pra esteira? Eu trouxe o tênis.
- Quer aprender a nadar?
- Purê de batata no almoço?
- Me ensina a jogar videogame? *.*
(...)
Ela exteriorizava proximidade e paixão. Estava finalmente disposta por alguém que escolheu. Ele tinha vergonha, algumas vezes. Estaria a se deixar levar?
“O egoísmo tem origem num instinto cego; o individualismo provém mais de um juízo errado do que dum sentimento adulterado. As suas raízes encontram-se tanto nos defeitos do espírito como nos do coração. O egoísmo seca o gérmen de todas as virtudes; o individualismo apenas extingue a fonte das virtudes públicas; mas à distância, ataca e destrói todas as demais e funde-se enfim com o egoísmo.” (Tocqueville)
(...)
- Eu tenho que terminar o trabalho da faculdade hoje.
- Tenho que escrever meu artigo.
- Hoje tem prova!
- Eu vou ficar na sala de estudos.
(...)
“A moça pode ser admirada, querida e abraçada, mas no fim preferirão as caladas, sonsas e frias. Eu não sou solução nenhuma. Portanto, façam-me o favor de fingir que não é comigo. E me deixem chorar na santa paz do meu lar, comendo geléia de mocotó e sorrindo se alguém me manda flores.”
(...)
É como se ele esperasse que a mesma névoa estivesse ali, ao redor dela, linda, constante, admirável, o tempo todo. É como se o que ele quisesse fosse o inatingível, o intangível.
Talvez como acordar e perceber que se está continuando o sonho vivido, todos os dias.
A realidade é outra, estamos todos à beira de um infarte lírico e épico, esperando ansiosamente para que algo aconteça, com o coração saindo pela boca.
- Vamos! Eu não estou pedindo que me segure! Apenas me arremesse!
Assegurar-se não é estar preso. Santa tolice desacreditar os estragos. Após o arremesso, vem a queda livre.