Há varios tipos de pessoas. Chatas, pentelhas, ignorantes, bondosas, generosas todas com a sua essência. E eu tenho todas elas em mim mesma numa grande confusão. Pode parecer meio pretensiosa a afirmação, mas eu sinto como uma verdade intensa o tempo inteiro.Existem seres humanos que não mudam quando magoados e machucados por alguns 'tombos'. Eu considerava que eu não mudasse por estas coisas. O tempo e a maturidade sempre me dizem que não. Eu caio sempre em erro. E mudando o tempo todo, apesar de muitas coisas não mudarem nunca.
É um sentimento antitético, paradoxal que toma conta de tudo que é perto de mim. Eu posso ser qualquer coisa. Isso me assusta. Muita gente não muda muito, feito papai que morreu o mesmo cabeça dura que era aos doze. Outras mudam incrivelmente, como mamãe.
Eu consigo ver mudanças em mim. Não é sempre, mas elas existem. Eu nunca faço listas de ano novo com minhas metas. Eu nunca programo muito as coisas assim. Talvez me fosse útil.
O que eu quero falar mesmo é que eu mudei em dois dias. Em DOIS MÍSEROS DIAS. Eu quase não me reconheço, eu mal me reconheço. E o melhor de tudo é que eu tô gostando. Eu tenho medo da mesma rapidez que me modificou, volte a me deixar lamuriosa e triste como sempre.
Minha mudança não foi lá das maiores, mas as pessoas irão sentir. Acho que não foi tão do nada assim. Um grande, velho e magro amigo tem muito a ver com isso, não ele em si, mas a situação em que me pôs. As coisas fora do lugar como ficaram e ainda estão me deram uma maturidade e uma boca mais fechada. Muito mais fechada.
E um coração mais duro. Tristemente mais duro como eu não achava que fosse capaz, eu sempre pensava que as coisas do passado e as pessoas passadas nada tinham a ver com as de agora e portanto, não era justo que as novas pagassem pelas antigas, enfim, mas eu descobri que as pessoas são mais iguais do que diferentes entre si, porque o que as difere basicamente é de foro material do que qualquer outra coisa. São os mesmos seres humanos cruéis por dentro, capaz das mesmas coisas, reagindo do mesmo jeito a iguais situações. E eu enrijeci. E com gosto. Nem mesmo as mais doces e afáveis serão capazes de me amolecer at all. Nem velhinhas. Nem criancinhas com olhos d'água.
Eu tô abrindo exceção pr'aquelas que eu sempre fui rude e dura. A chata e insuportável da foto. E essa eu acho que não hei de mudar essa Marla em mim nunca. É só me chamar num momento mais inoportuno que eu já solto o 'que é?' tão odiado de todos.
Não se pode endurecer e piorar pros que te amam de sempre. Eu falo de mamãe, eu falo de Kaká. Descobri que o abraço delas têm sido tão melhor que o de qualquer outro.
E eu me envergonho menos ainda agora de sair marcada de batom com o beijinho de mamãe. Que os outros sofram com minha chatice, não os meus chegados, oras! :)
Que fique claro que minha chatice é suportável. E as pessoas gostam de mim ainda assim.
Eu continuarei cuidando chata e gentilmente dos meus amores.
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